Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha.(Lc 11,23)
As palavras de Cristo são fortes e verdadeiras. Ela leva-nos a um confronto verdadeiro conosco mesmos, sobretudo, para aqueles que tem um chamado específico de seguir a Cristo mais de perto.
Em nossa decisão de seguir a Cristo ou estamos com Ele ou não. Essa é a radicalidade da vida evangélica e do seu seguimento que somos chamados. Não obstante, nos tempos de hoje, onde estamos impregnados por uma cultura relativista que se infiltra em nossa vida, podemos, com isso, ser conduzidos a termos idéias própria das coisas; podemos desconsiderar muitas vezes as palavras que Cristo nos diz e criar, por assim dizer, uma fé subjetiva e fria, uma fé de conveniências, adaptada ao meu jeito de interpretar as coisas.
Quando Cristo nos interpela fortemente é porque Ele sabe que somos capazes de transceder e ir mais além daquilo que somos. Viemos Dele e vamos para Ele, por isso Ele sabe que somos capazes de acolher suas mensagens. Ele não é incoerente. Existe uma meta a ser conquistada e Ele sabe que podemos alcançá-la.
Confrontar a palavra de Cristo com nossa realidade as vezes se torna um escândalo. Mas Cristo, parece que nos faz essa pergunta: “Você está comigo ou não?” Suas palavras sempre nos apresenta dois caminhos para seguir e não tem um “meio termo”. Se formos analisar isso é pura misericórdia de Deus. Quando Cristo nos diz palavras duras, é também uma expressão da sua misericórdia. Ele não quer nos perder e está querendo nos salvar, mas respeitando sempre nossa liberdade.
Como servos de Cristo, somos chamados também a recolher, e não a espalhar: “…quem não recolhe comigo, espalha” (Lc 11,23). Talvez possamos achar que viver um cristianismo superficial é o suficiente. Todavia, precisamos entender e se questionar se nossa forma de viver o cristianismo não está sendo individualista, pois eu posso vivê-lo sem um comprometimento, sem ter responsabilidades e sem ter decisão.
Desta forma, não estando comprometido com o que Ele nos chama, posso também estar sendo um empecilho para a construção do seu reino, ajudando assim a espalhar no sentido que diz o relato de Jesus. Afinal, viver o silêncio em algumas situações, por exemplo, é também um pecado: Aquele que souber fazer o bem, e não o faz, peca (Tg 4,17).
Mas porque as palavras de Cristo são tão duras e radicais? Porque Ele deseja nos dá muito, mas o seu seguimento é exigente e requer de nós decisão e renuncia. Não vi até hoje alguém que tem abandonado sua vida em Deus e que, no entanto, tenha se decepcionado. Cristo é sempre sim e quando nos lançamos confiantemente para fazer a sua vontade Ele abre seus reservatórios de graças para nos cumular de bens. Assim diz a sua palavra: “Coisas que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem reservado para aqueles que o amam”…
Vale ressaltar que Dom Bosco disse que um dia poderia ter pedido muitas coisas para Deus, mas disse: “Dai-me almas e ficai com o resto”. Ele estava tão comprometido com a causa do reino que pra ele o importante era primeiro a necessidade de Deus; era primeiro recolher almas para Deus.
Diante de tudo isso, quero deixar um questionamento para nós cristão fazermos: “De qual lado estou? Estou com Cristo ou estou contra Ele? O que estou buscando com Cristo, minhas necessidades ou as de Deus?Estou recolhendo almas para Deus como Dom Bosco ou estou dispersando?”
Fonte:Com. Catolica Pantokrator
